Logo que chegaram a Ourém, as crianças são fechadas num quarto e dizem-lhes que não sairiam dali, enquanto não declarassem o segredo que a Senhora lhes tinha confiado. No dia seguinte, depois de interrogadas por uma senhora, são conduzidas à administração do concelho e novamente interrogadas, havendo quem lhes ofereça peças de ouro para revelarem o segredo. À tarde foram outra vez interrogadas sobre o segredo. Levaram-nas à cadeia e ameaçaram-nas de lá as fazerem ficar, se o não dissessem. Como elas o não quisessem dizer, ameaçaram que as iam fritar em azeite. Nessa altura, na presença das crianças, o administrador disse a um indivíduo que estava próximo que aprontasse uma caldeira com azeite quente. Chamou depois a Jacinta, dizendo que era a primeira a ser queimada. Ela foi prontamente, e a Lúcia, no seu depoimento, acrescenta ingenuamente que foi sem se despedir. Interrogaram-na e meteram-na num quarto. Chamaram em seguida o Francisco, disseram-lhe que a Jacinta já estava queimada e que ele teria a mesma sorte, se não declarasse o segredo. Interrogaram-no e mandaram-no para o mesmo quarto. Foi depois a vez da Lúcia. Disseram-lhe que os primos já estavam queimados e que ela teria a mesma sorte, se não dissesse o segredo. Embora pensasse que era certo, a vidente não teve medo, como ela própria declara. Mandaram-na para junto dos primos e um homem disse que não tardariam a ser queimados todos três. Levaram-nos para casa do administrador e lá ficaram mais uma noite no mesmo quarto. No dia seguinte, sucedeu quase a mesma coisa: interrogatórios de manhã e de tarde, com muitas promessas e ameaças. No dia dezasseis foram outra vez à administração, pelas dez horas, mas nada conseguiram dos videntes, como das outras vezes, até que por fim o administrador os foi levar à residência paroquial de Fátima.
Notas dos editores (2)
21 O relator quereria referir-se ao 1º Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Braga, de 2 a 6 de julho de 1924.
22 Três meses (maio, junho e julho).