No dia quinze do mês de setembro, compareceu na minha presença e residência paroquial a vidente Lúcia acompanhada de sua mãe. Procedi ao interrogatório. A qual disse que no dia treze do corrente mês de setembro, se dirigiu com seus primos, Francisco e Jacinta, ao sítio chamado Cova da Iria, e à hora do costume viu um relâmpago e logo viu chegar a Senhora que tinha visto das outras vezes; que lhe parecia a mesma vestida de branco, mas que para pouco mais olhava do que para o rosto, para tomar sentido no que Ela dizia. E lhe perguntou:
– O que é que Vossemecê me quer?
E a Senhora respondeu:
– Quero-te dizer que continues a rezar o terço sempre à Senhora do Rosário, que abrande Ela a guerra; que a guerra está para acabar. Para o último dia há-de vir S. José com o Menino Jesus dar a paz ao mundo e Nosso Senhor dar a bênção ao povo. E que venhas cá para o dia treze de outubro.
Está aqui esta menina que é muda e mouca, se Vossemecê a melhora?! Lhe disse a Lúcia. E que a Senhora lhe respondeu, dizendo que daqui a um ano acharia algumas melhoras.
Tenho aqui muitos pedidos – uns para converter e outros para os melhorar!...
E a Senhora lhe respondeu:
– Melhoro uns, outros não, porque Nosso Senhor não quer crer neles.
– O povo muito gostava aqui duma capelinha!
– Metade do dinheiro que ajuntaram até hoje façam os andores e levem-nos à Senhora do Rosário, e outra metade seja para ajuda da Capelinha – lhe respondeu a Senhora.
Disse mais a Lúcia que lhe ofereceu duas cartas e um vidro – pequeno frasco – com água de cheiro, que lhe foram apresentadas por um homem da freguesia do Olival, e que quando lhas oferecia lhe disse:
– Deram-me isto... se Vossemecê as quer?!...
E a Senhora respondeu:
– Isso não é conveniente lá para o Céu.
Dito isto, que se elevou indo para o lado do nascente.
E então ela – a Lúcia – que se voltou para o povo e que diz: se A querem ver voltem-se para acolá. – E aponta para onde Ela ia.