No dia dezasseis do corrente mês de outubro compareceu na minha presença, e residência paroquial a vidente Lúcia acompanhada de sua mãe. Procedi ao interrogatório da Lúcia, a qual disse que no dia treze do mês corrente tendo-se dirigido, com seus primos, Francisco e Jacinta, para o local chamado Cova da Iria, uma vez ali viu à mesma hora das outras vezes um relâmpago – o que sempre se tem dado nos dias treze desde maio, – que se voltou para o nascente, tendo dito ao povo que se calasse que já se tinha dado o relâmpago, e logo viu descer Nossa Senhora pelo ar abaixo; e que disse outra vez ao povo: calem-se... que já lá vem Nossa Senhora! Olhem!... Veem-nA... veem-nA... veem-nA?... E a Senhora veio e se pôs com os pés em cima das fitas de seda e flores de rosa, que estavam a cobrir os troncozinhos da carrasqueira.
E então que Lhe perguntou:
– O que é que Vossemecê me quer?
E a Senhora respondeu:
– Quero-te dizer que não ofendam mais a Nosso Senhor que está muito ofendido; que rezem o terço a Nossa Senhora. Façam aqui uma Capelinha à Senhora do Rosário (a Lúcia tem dúvida se foi assim como fica dito ou se foi: façam aqui uma Capelinha – Sou a Senhora do Rosário). A guerra acaba ainda hoje, esperem cá pelos seus militares muito breve.
– Tenho muitos pedidos, se Vossemecê os despacha todos ou não?!
– Uns despacharei, outros não.
– Já me não quer mais nada?
– Já te não quero mais nada – respondeu a Senhora.
– E eu também Lhe não quero mais nada. Dito isto, a Senhora abalou pelo mesmo caminho e na mesma direção das outras vezes. E então se voltou para o povo e lhe disse:
– Olhem... lá vai Ela – lá vai Ela – lá vai Ela!... E que foi subindo até desaparecer da vista. Uma vez perdida de vista, olhou para o sol – mas não por Ela mandar – e viu S. José, a meio corpo, vestido de branco, com o menino assentado no braço esquerdo. S. José estava à esquerda do sol e abençoava o povo com a mão direita. Parece-lhe que fez três ou quatro cruzes sobre o povo. O Menino Jesus, viu-O a todo o corpo, vestido de encarnado. E viu, ao lado direito do sol, Nossa Senhora, a todo o corpo, vestida de encarnado com um manto azul pela cabeça, brochado ao pescoço e as mãos à cintura com os dedos entrelaçados.
Desapareceu esta visão, diz ela, e ficou tudo amarelo por alguns instantes – e logo viu aparecer Nosso Senhor, a meio corpo, vestido de branco, à direita do Sol; e à direita de Nosso Senhor viu Nossa Senhora, a todo o corpo, de pé, vestida de branco, com um manto azul pela cabeça, e as mãos sobre o peito de palmas para dentro, uma ao lado da outra em posição horizontal. O manto não era brochado como o da primeira visão. Nossa Senhora em nenhuma destas visões se apresentou com o Menino. Todas estas visões tinham resplendor amarelo, exceto a de S. José.
Na ocasião em que estava a ver estas representações o povo gritava: Olhem... Olhem... Olhem... tão bonito!!! Declarou mais a Lúcia que neste momento também disse ao povo que olhasse para lá – para o sol – que estava lá S. José – e – depois Nosso Senhor. Sendo interrogada sobre o que se há de fazer ao dinheiro, disse que é para uma Capela; e sobre quem há de fazer a Capela e tomar a direção da obra, disse que não sabia porque a Senhora lhe o não tinha dito. E sendo também interrogada sobre quando Nossa Senhora lhe tornava a aparecer, ou esperava tornar a vê-la, disse que não esperava mais por Ela, porque lhe não tinha prometido senão para seis meses ou seis vezes, – e estas já vieram – e que agora só espera tornar a vê-la no Céu.