Explorar / Relato

Manuel António de Paula · 13 de outubro de 1917

Gente da terranatural de Boleiros, residente em Lisboa, de 61 anos
13 out.Testemunho diretoViuDepoimento ajuramentadoVeio de longeA chuva a pararNuvem / coluna de fumoDisco pálido / prateadoCores nas pessoas e na paisagemA multidão

No dia treze do mês de outubro quando saiu de Boleiros com outras pessoas, começou a chover. A irmã estava com medo de não voltar, porque diziam que lançavam bombas, mas ele sossegou-a dizendo que se fosse Nossa Senhora que ali aparecia, não lhe sucederia mal algum, pois Nossa Senhora não o havia de consentir. A chuva era muita e o vento soprava com força de maneira que se molhou bastante apesar de levar chapéu de chuva. Por isso quando chegou ao pé da igreja paroquial foi a casa de uma prima e enxugou-se. A certa altura da conversa que teve com ela, disse-lhe: “Naturalmente as crianças não vão lá com esta chuva.” – “Vão, disse ela, nem que chova a potes”. Muitas pessoas estavam aflitas por causa dos animais que as tinham transportado, mas não consta que lhes sucedesse mal por causa da chuva. Tendo passado a chuva, cerca da uma hora, dirigiu-se para o local e perto da estrada encontrou um sacerdote de Penacova, que lhe perguntou onde era o local da aparição, indicando-lhe o depoente o ponto onde se via uma névoa, um fumozinho, bastante denso, que não estranhou por julgar que era incenso queimado em honra de Nossa Senhora, ficando depois admirado quando lhe disseram que não havia lá fumo nenhum, que não se tinha lá feito lume de qualidade nenhuma, nem um fósforo se tinha acendido. De repente o sacerdote olha para o sol e diz que o sol em eclipse não era assim. O depoente olhou também e viu que o sol não dava luz; sobre ele corria uma névoa branca, era uma lua sem brilho. O sol ficava à esquerda, estando o resto do céu encoberto. Tirando os olhos do sol, viu o povo de um encarnado muito vivo; e exclamou: “Ai, senhores, o povo como está todo encarnado!” E respondeu-lhe o sacerdote: “serão lenços encarnados?” Ao que ele observou: “Como pode ser? Então tinham-se todos combinado para terem lenços encarnados sobre as costas?! “Depois o povo apareceu da cor do ouro. Os movimentos de rotação do sol não os viu. O povo nessa ocasião gritava muito, ajoelhado e com as mãos levantadas, gritando por Nossa Senhora, não se importando com a lama que era muita, invocando repetidamente Nossa Senhora. A impressão do povo foi extraordinária.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · interrogatório · 28 set. 1923 (6 anos depois)Digitalizações (2)
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