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Lúcia de Jesus · 13 de agosto e outros acontecimentos de 1917

Vidente
13 ago.Outros de 1917Testemunho diretoInterrogatórioa 12 km

No mês de agosto, passou-se tudo da mesma maneira?”. Respondeu: “No mês de agosto foi diferente. Antes do dia 13 de agosto, eu e meus primos fomos chamados à Administração; o meu tio não levou lá os filhos, mas eu fui com meu pai. O senhor Administrador interrogou-me, quis insistentemente que eu lhe revelasse o segredo da Senhora, o que eu não fiz; depois de escrever mandou-me embora. No dia treze iamos para o sítio da carrasqueira, quando nos disseram que primeiro tínhamos de ir a casa do Senhor Prior. Lá fomos, subindo para a varanda da casa. Depois de estarmos algum tempo à espera, apareceu o Senhor Administrador que nos mandou entrar para um carro, dizendo que assim íamos mais depressa para a Cova da Iria.

Meu pai disse que nós iamos a pé, mas o Senhor Administrador teimou que era melhor irmos no carro, porque íamos livres do povo. Então, por ordem de meu pai, subi para o carro com os meus primos. O carro deu uma volta e seguiu na direção de Vila Nova de Ourém. “Não é para este lado”, disse eu, mas o Senhor Administrador respondeu que íamos a Ourém a casa do Senhor Prior e que ainda viríamos a tempo porque vínhamos de automóvel. Quando chegámos a Ourém, fecharam-nos num quarto e disseram que não sairíamos dali enquanto não declarássemos o segredo que a Senhora nos confiou. No dia seguinte3, uma senhora de idade interrogou-nos sobre o segredo; depois levaram-nos para a Administração, onde fomos de novo interrogados, oferecendo-nos peças de oiro para revelarmos o segredo. Voltámos para casa do Senhor Administrador, onde tínhamos ficado na noite anterior e de tarde fomos outra vez interrogados sobre o segredo. Levaram-nos à cadeia, e ameaçaram-nos de lá ficar, se o não disséssemos. Tornámos para a Administração, e como não disséssemos o segredo, prometeram que nos iam fritar com azeite. O Senhor Administrador mandou-nos retirar e disse a um homem que aprontasse uma caldeira com azeite quente. Chamou depois a Jacinta, dizendo que era a primeira a ser queimada. Ela foi prontamente, sem se despedir. Interrogaram-na e meteram-na num quarto. Chamaram a seguir o Francisco; disseram-lhe que a Jacinta já estava queimada e que ele teria a mesma sorte se não declarasse o segredo. Interrogaram-no e mandaram-no para o mesmo quarto. Foi depois a minha vez; disseram que os meus primos já estavam queimados e que eu teria a mesma sorte, se não dissesse o segredo. Embora pensasse que era certo, não tive medo. Mandaram-me para ao pé dos meus primos, e um homem disse que não tardaria a sermos queimados todos três. Levaram-nos para casa do Administrador, e lá ficámos aquela noite no mesmo quarto. No dia seguinte4, foi quase a mesma coisa: interrogatórios de manhã e à tarde, com muitas promessas e ameaças. No dia dezasseis5, fomos outra vez à Administração pelas dez horas, mas nada conseguiram de nós, como das outras vezes. Então o Senhor Administrador mandou-nos subir para um carro, e deixou-nos em casa do Senhor Prior, na varanda.

Notas dos editores (3)

3 Dia 14 de agosto.

4 Dia 15 de agosto.

5 Lúcia acrescenta, por engano, um dia. O regresso a Fátima foi no dia 15 de agosto, feriado, Assunção de Nossa Senhora.

DCF Seleção, Doc. 82 (= DCF II, Doc. 8) · interrogatório · 8 jul. 1924 (7 anos depois)Digitalizações (2)
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