Ás 21 horas de ontem, um grupo de populares exibiu um cortejo pelas tres principais ruas da cidade conduzindo alguns deles, procissionalmente, os objectos ha dias trazidos da Fatima, onde se deu o afamado fenomeno do dia 13 do corrente mês.
Um dos populares conduzia a carrasqueira, um outro, acolitado por mais dois, figurando de eclesiasticos, conduziam sob um chapeu de sol uma cruz e, por fim, uns outros transportavam a estampa duma imagem religiosa, sendo encimada por um arco de mortinheira, ladeada por duas lanternas.
Ao som do badalar duma campainha e o rufar dum tambor, cerca de 100 populares entoavam uma ladainha, sendo sobre os mesmos e um policia civil lançado um balde de agua quando passavam proximo da ourivesaria Lemos.
A senhora que lançou a agua foi multada pela policia, mas o marido resolveu não pagar a multa e fazer escandalo no tribunal.
Toda a gente estranha ao cortejo, especialmente os catolicos, comentam verberantemente a indiferença ou consentimento de tal desacato por parte da autoridade administrativa que durante a sua estada aqui só tem revelado uma manifesta incompetencia no desempenho da sua missão, não sabendo evitar factos vexatorios e improprios duma cidade, como o que vimos relatando.
Notas dos editores (1)
2 Era, nesta altura, António R. Almeida Ribeiro, sob a presidência de Afonso Costa, que se manteve até à revolução de Sidónio Pais, a 8 de Dezembro de 1917.