Explorar / Relato

Lúcia de Jesus · 13 de agosto – 13 de outubro de 1917

Vidente
13 ago.13 set.13 out.Testemunho diretoViuInterrogatórioPalavras dos videntesFiguras / visõesDisco pálido / prateado

No dia treze do corrente Nossa Senhora disse que a guerra acabava nesse mesmo dia? Quais foram as palavras que empregou?

– Disse assim: “A guerra acaba ainda hoje; esperem cá pelos seus militares muito em breve”.

2a – Ela disse: “esperem cá pelos seus militares” ou “esperem cá pelos vossos soldados”?

– Disse: “esperem cá pelos militares”.

3a – Mas olha que a guerra ainda continua!... Os jornais noticiam que tem havido combates depois do dia treze!... Como se explica isto, se Nossa Senhora disse que a guerra acabou nesse dia?

– Não sei. Só sei que lhe ouvi dizer que a guerra acabava no dia 13. Não sei mais nada.

4a – Algumas pessoas afirmam que te ouviram dizer nesse dia que Nossa Senhora tinha declarado que a guerra acabava brevemente. É verdade?

– Disse tal e qual como Nossa Senhora tinha dito.

5a – No dia 27 do mês passado fui a tua casa falar contigo, lembra-te?

– Lembro-me de o ver cá.

6a – Pois nesse dia disseste-me que Nossa Senhora tinha dito que no dia 13 de outubro vinham também S. José e o Menino Jesus e que depois disso brevemente acabaria a guerra, não nesse dia.

– Não me recordo já bem como Ela disse. Podia ter dito isso; não sei. Talvez não entendesse bem a Senhora.

7a – No dia treze do corrente mandaste ao povo que olhasse para o sol?

– Não me lembro de assim fazer.

8a – Mandaste fechar os chapéus?

– No outro mês atrás mandei. Da última vez não me lembro de mandar.

9a – Sabias quando devia começar o sinal no sol?

– Não.

10a – Olhaste para ele?

– Olhei; parecia que era a lua.

11a – Porque foi que olhaste para o sol?

– Olhei, porque toda aquela gente disse que olhassem para o sol.

12a – Nossa Senhora disse que pediria a seu Divino Filho pelas almas dos soldados mortos na guerra?

– Não, senhor.

13a – Disse que o povo seria castigado se não se emendasse dos seus pecados?

– Não me lembro se Ela o disse. Parece-me que não.

14a – No dia 13 não tinhas dúvidas como agora acerca do que a Senhora disse. Como se compreendem as tuas dúvidas de hoje?

– Nesse dia lembrava-me melhor, tinha sido há menos tempo.

15a – O que viste há cerca de um ano? Tua mãe diz que tu e outras crianças viram um vulto embrulhado, que não deixava ver o rosto. Porque foi que me disseste o mês passado que não foi nada?

– !...

16a – Dessa vez fugiste?

– Cuido que fugi.

17a – No dia onze deste mês não me quiseste dizer que no dia treze do corrente haviam de aparecer Nosso Senhor abençoando o povo e Nossa Senhora das Dores. Foi com receio de que eu fizesse troça de ti, como outras pessoas já tinham feito, dizendo que isso era impossível? Ou era porque estavam presentes muitas pessoas estranhas e tiveste acanhamento de dizer isso diante e tanta gente? Olha que a Jacinta disse-me tudo...

– !...

18a – Quando foi que Nossa Senhora te disse que se haviam de dar essas aparições no dia treze de outubro?

– Foi no dia em que apareceu nos Valinhos ou no outro dia treze. Não sei bem.

19a – Viste também Nosso Senhor?

– Vi uma figura que parecia ser um homem; parecia Nosso Senhor.

20a – Onde estava essa figura?

– Estava ao lado do sol.

21a – Viste-a abençoar o povo?

– Não vi; mas Nossa Senhora tinha dito que Nosso Senhor viria abençoar o povo.

22a – Se o povo soubesse o segredo que Nossa Senhora te revelou ficava triste?

– Cuido que ficava como está, quase à mesma.

DCF Seleção, Doc. 18 (= DCF I, Doc. 16) · interrogatório · 19 out. 1917 (2 meses depois)Digitalizações (2)
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