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Olímpia de Jesus

Família dos videntesGente da terra

Olímpia de Jesus, nascida a 31 de maio de 1869 em Aljustrel (com 48 anos), mãe dos videntes Francisco e Jacinta; viúva de José Ferreira da Rosa, casou com Manuel Pedro Marto em 1898. A princípio disse a Jacinta «Não acredito» e ameaçou bater nos filhos porque «andam a enganar o povo».

Residência: Aljustrel, FátimaFreguesia de Fátima (da terra)Atitude prévia: cética4 relatos

13 de agosto de 1917 1 relato

13 ago.Outros de 1917Testemunho diretoDepoimento ajuramentadoAtitude céticaa 2 kmA multidão

Em treze de agosto o Administrador do Concelho chegou a casa de Manuel Marto de manhã cedo e a mulher não o conhecia. Ele pediu muito que preparassem os pequenos que andavam com o gado, para irem para a Cova da Iria. Olímpia de Jesus dizia que era muito cedo, que andavam com o gado e que não costumavam ir para lá senão ao meio-dia. O administrador mostrava-se muito aflito, porque queria que os videntes regressassem mais cedo. Chegaram quase às horas do costume e ainda não queriam ir. A mãe tinha-os mandado chamar. A Lúcia declarou que ainda era muito cedo. O administrador disse à Lúcia que haviam de vir à Fátima a casa do senhor Prior para serem interrogados e que dali seguiriam no carro para a Cova da Iria. E assim os enganou. As três crianças foram em companhia dos pais. As mães ficaram em casa. A mãe da Jacinta soube no caminho da Cova da Iria, para onde se dirigia, que o Administrador tinha levado as crianças para Ourém. Voltou então para trás e foi dar parte do sucedido à cunhada, mãe da Lúcia. “Ó Maria, disse ela, então não levaram os cachopos para a Aldeia!” Ela sorriu-se e disse: “Então não andem a mentir!”. “Ai, o que lhes farão por lá!” exclamou a mãe da Jacinta. – “Não tenhas medo que não os comem por lá!”, disse a mãe de Lúcia. Em casa da cunhada quando ouviram o povo a gritar, disse: “O que irá por lá?” A mãe da Lúcia olhou para o sol e disse: “O sol está diferente”. Veio o povo e contou que se tinham visto sinais no sol e no céu.

As crianças chegaram no dia quinze de agosto de manhã em que o administrador as veio trazer. Ele disse às crianças, na presença da mãe da Jacinta: – “Agora podem ir à Cova da Iria quantas vezes quiserem”. Disse o administrador ao pai da Jacinta que “eles diziam ver e ouvir coisas extraordinárias por causa de uma doença que tinham”.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · interrogatório · 28 set. 1923 (6 anos depois)Digitalizações (2)Ligação

13 de setembro de 1917 1 relato

13 set.Testemunho diretoEm parteDepoimento ajuramentadoAtitude céticaNuvem / coluna de fumoA multidão

Em treze de setembro, depois de as crianças partirem para a Cova da Iria, foi chamar a cunhada para irem ambas em segredo, isto é, de maneira que ninguém as visse. Chegaram e deixaram-se ficar na encosta, não indo para o pé das crianças para não serem vistas. Quando o povo gritou que via sinais, não perceberam o que ele dizia, mas pareceu-lhes ver um fumozinho subir do meio do povo ao pé da azinheira. Logo que notaram que as crianças se vinham embora e que o povo as seguia, disse a mãe da Jacinta: “Elas estão salvas, vamo-nos embora”, voltando para suas casas.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · interrogatório · 28 set. 1923 (6 anos depois)DigitalizaçãoLigação

13 de outubro de 1917 2 relatos

13 out.Testemunho indiretoCartaAtitude cética
Transmitido por: Beatriz Gorjão (carta copiada textualmente por Anita)

No dia 13 houve alguem que metteu na mão d’um dos pequenos, uma moeda de 500rs, a creança não sabendo do que se tratava, pois estava embrulhada n’um papel, foi leval-a à mãe, que afflicta perguntou em vóz alta quem se accusava de ter dado os 500rs. — Ninguem respondeu; e os cinco tostões lá estão embrulhados no mesmo papel ao canto da gaveta. Não lhe quer tocar: aquelle dinheiro não é d’ella.

DCF III-1, Doc. 197 · carta · out. 1917 (2 dias depois)Digitalizações (2)Ligação
13 out.Testemunho diretoDepoimento ajuramentadoAtitude céticaPalavras dos videntes

Em treze de outubro a mãe foi de novo à Cova da Iria e ficou ao pé das crianças. A Jacinta, como a mãe ouviu, depois de dizerem que Nossa Senhora já tinha aparecido, acotovelou a Lúcia e disse-lhe: “Fala-lhe Lúcia, que Nossa Senhora já lá está”. A Lúcia tomou a respiração por duas vezes, como pessoa a quem faltasse o ar. Em seguida disse: “Que é que me quereis hoje?”. Daí a poucos momentos, a Lúcia disse mais: “Queria que me melhorasse os doentes.” Depois declarou: “Nossa Senhora disse que os não podia melhorar todos, que eram muito maus”. Passados alguns momentos levantou-se muito rapidamente e disse: “Se a quiserem ver voltem-se para o nascente”. Mas logo a seguir exclamou: “Já a não veem”.

DCF Seleção, Doc. 80 (= DCF II, Doc. 4) · interrogatório · 28 set. 1923 (6 anos depois)DigitalizaçãoLigação
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